segunda-feira, 9 de junho de 2008

~ Deficiente Auditivo



SURDEZ - COMO PREVENIR - O QUE FAZER

São muito os fatores que levam à deficiência auditiva ou surdez. Há também atitudes preventivas que possibilitam impedir que a criança venha a desenvolver deficiência auditiva. Mas, uma vez constatada a deficiência, a busca de tratamento deve ocorrer rapidamente. Conheça algumas dicas para reconhecer sinais de deficiência auditiva e como lidar com a situação.

●● Deficiência auditiva - O que é Deficiência auditiva é o nome usado para indicar perda de audição ou diminuição na capacidade de escutar os sons. Qualquer problema que ocorra em alguma das partes do ouvido pode levar a uma deficiência na audição. Entre as várias deficiências auditivas existentes, há as que podem ser classificadas como condutiva, mista ou neurossensorial.

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O que causa ?

São várias as causas que levam à deficiência auditiva. A deficiência auditiva condutiva, por exemplo, tem como um dos fatores o acúmulo de cera no canal auditivo externo, gerando perda na audição. Outra causa são as otites. Quando uma pessoa tem uma infecção no ouvido médio, essa parte do ouvido pode perder ou diminuir sua capacidade de "conduzir" o som até o ouvido interno.

No caso da deficiência neurossensorial, há vários fatores que a causam, um deles é o genético. Algumas doenças, como rubéola, varíola ou toxoplasmose, e medicamentos tomados pela mãe durante a gravidez podem causar rebaixamento auditivo no bebê.
Também a incompatibilidade de sangue entre mãe e bebê (fator RH) pode fazer com que a criança nasça com problemas auditivos. Uma criança ou adulto com meningite, sarampo ou caxumba também pode ter como seqüela a deficiência auditiva. Infecções nos ouvidos, especialmente as repetidas e prolongadas e a exposição freqüente a barulho muito alto também podem causar deficiência auditiva.

●● Como reconhecer

Nos primeiros meses o bebê reage a sons como o de vozes ou de batidas de portas, piscando, assustando-se ou cessando seus movimentos. Por volta do quarto ou quinto mês a criança já procura a fonte sonora, girando a cabeça ou virando seu corpo. Se o bebê não reage a sons de fala, os pais devem ficar atentos e procurar aconselhamento com o pediatra, pois desde cedo o bebê distingue, pela voz, as pessoas que convivem com ele diariamente.
Deve-se também estar atento à criança que assiste à televisão muito próxima do aparelho e que pede sempre para que o volume seja aumentado; só responde quando a pessoa fala de frente para ela; não reage a sons que não pode ver; pede que repitam várias vezes o que lhe foi dito, perguntando "o quê?", "como?" ou tem problemas de concentração na escola.
No caso da deficiência em crianças, deve-se observar que há diferentes tipos de problemas auditivos e deve-se recorrer a métodos que melhor se adaptem às necessidades de cada criança.

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Como evitar Há várias formas de se evitar a deficiência auditiva. A mulher deve sempre tomar a vacina contra a rubéola, de preferência antes da adolescência, para que durante a gravidez esteja protegida contra a doença. Se a gestante tiver contato com rubéola nos primeiros três meses de gravidez, o bebê pode nascer surdo. A criança deve receber todas as vacinas contra as doenças infantis como sarampo e outras para prevenir-se contra possíveis deficiências. Também devem ser evitados objetos utilizados para "limpar" os ouvidos, como grampos, palitos ou outros pontiagudos. Outro cuidado a ser observado é para a criança não introduzir nada nos ouvidos, correndo-se o risco de causar lesões no aparelho auditivo. Se isto ocorrer, o objeto não deve ser retirado em casa. A vítima deve procurar atendimento médico.
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DIREITOS DO DEFICIENTE

Em um mundo cheio de incertezas, o homem está sempre em busca de sua identidade e almeja se integrar à sociedade na qual está inserido. Há, no entanto, muitas barreiras para aqueles que são portadores de deficiência, em relação a este processo de inclusão.
Geralmente, as pessoas com deficiência ficam à margem do convívio com grupos sociais, sendo privados de uma convivência cidadã. No Brasil, a Lei Federal n° 7853, de 24 de outubro de 1989, assegura os direitos básicos dos portadores de deficiência. Em seu artigo 8º constitui como crime punível com reclusão (prisão) de 1 a 4 anos e multa, quem:
Recusar, suspender, cancelar ou fazer cessar, sem justa causa, a inscrição de aluno em estabelecimento de ensino de qualquer curso ou grau, público ou privado, porque é portador de deficiência.

-Impedir o acesso a qualquer cargo público porque é portador de deficiência.
-Negar trabalho ou emprego, porque é portador de deficiência.
-Recusar, retardar ou dificultar a internação hospitalar ou deixar de prestar assistência médico-hospitalar ou ambulatória, quando possível, a pessoa portadora de deficiência.

●● O aluno com deficiência auditiva

Um aspecto a ser comentado é a classificação da pessoa com necessidade especial, possível de crítica por levar ao rótulo que tem a deficiência como uma desvantagem, um desvio da norma , ocasionando segregação e marginalização.Na perspectiva da inclusão, esse problema deixa de existir, pois todos estão sob o princípio da igualdade.Mas é inegável que cada aluno tem sua própria historia composta pelo seu ambiente familiar , social, econômico, emocional ,além das suas condições orgânicas.Especialmente na deficiência auditiva, a “história” do aluno precisa ser reconhecida para ser melhor aproveitada.Mais do que isso, é determinante quanto ao tipo de escola e recursos que podem proporcionar seu melhor aproveitamento.

Couto-Lenzi (1997) expõe muito claramente a condição do indivíduo com deficiência auditiva. Sua única limitação seria na percepção dos sons , que pode afeta-lo em diferentes graus. Mas o avanço científico e tecnológico é capaz de proporcionar dispositivos que favorecem sua capacidade de compreensão.O grande obstáculo é o acesso de tais aparelhos e aos atendimentos especializados.
Sob este aspecto, há o direito do indivíduo surdo de integrar-se e exercer sua cidadania e, há sua potencialidade de realização , que se constitui em promessa na exata medida da condição sócio-econômico-cultural da sua família.
Ainda hoje o trabalho com o deficiente auditivo é controverso.Existem duas grandes linhas: a oralista, com métodos que utilizam o treinamento oral, e a Língua de Sinais.
No entanto, o sistema educacional com classes e escolas especiais favoreceu e segregação e o surgimento das comunidades surdas.
Em se tratando de aluno com deficiência auditiva, o que parece certo é que não se deve pautar pelo maniqueísmo; não há uma regra ou uma receita que garanta o bom resultado.
Cada criança tem sua historia, e sem duvida , o professor e a escola terão o papel decisivo do seu desempenho.
De qualquer forma , por uma ou outra opção, poucos são os casos bem sucedidos.O motivo real do fracasso não parece estar pois, nessa folha, feita pela família ou imposta pela conjuntura onde a mesma se insere. Parece lícito supor que o desenvolvimento insatisfatório dos surdos sofreu até agora as mesmas conseqüências da falta de uma política educacional democrática efetiva que explorasse os muros escolares e permeasse a construção dos futuros cidadãos , sem os preconceitos até agora arraigados.
Uma pesquisa que ilustra as dificuldades enfrentadas pelos deficientes auditivos na escola foi realizada em Bauru-SP por Gatti (2000). A autora analisou 27 deficientes auditivos com 7 a 14 anos, matriculados em escolas regulares ou não.Constatou que 92,5% freqüentavam o ensino regular, porém. O sistema educacional não oferecia um atendimento adequado pois os alunos com perda auditiva grave (22,2%) necessitavam de recursos que não estavam disponíveis.As famílias adotaram procedimentos paralelos tais como terapia fonoaudiológica. e reforço pedagógico, para que esses alunos, principalmente os que apresentavam perdas graves, tivessem meios para um processo de reabilitação mais eficaz e com possibilidades de sucesso.
A pesquisa mostrou que os indivíduos com perda de audição de grau leve a moderado não encontraram grandes obstáculos para o processo de escolarização e freqüentavam series compatíveis com a faixa etária (40,8%).Já nos 22,2% dos indivíduos com perda severa a profunda, ficou evidente a dificuldade acadêmica diante da incompatibilidade da faixa etária com a série escolar.
De acordo com os dados do Censo Escolar do MEC até 1999 (Brasil 2001a), os deficientes auditivos constituíam 12,8% dos alunos matriculados com necessidades especiais.A grande maioria (31.825 de um total de 47.810) estava no ensino fundamental.Apenas 899 tinham chegado ao ensino médio A pré-escola ,essencial para o desenvolvimento da criança deficiente auditiva , contava com apenas 6.618 alunos matriculados. Tais números mostram o insucesso do deficiente auditivo no sistema mantido até então, apesar dos recursos disponíveis : ensino itinerante, sala de recursos e classe especial.

Inclusão e Exclusão do deficiente auditivo

Apesar do amparo legal que tem a educação em todos os níveis educacionais, sabe-se que a sua efetivação prática ainda não acontece. Há pessoas portadoras de necessidades educativas especiais em todos os níveis. No entanto, a partir da 5º série do 1º grau, o acesso a educação da pessoa portadora de necessidades educativas especiais torna-se mais difícil pela falta de oferta.Sob o enfoque sistêmico, a educação especial integra o sistema educacional vigente, identificando-se com sua finalidade, que é a de formar cidadãos conscientes e participativos.
Sendo assim, é necessário o oferecimento desta modalidade sistêmica à todas pessoas que necessitam.Mas a Constituição garante a todos o direito de estudar e participar em classes “normais”, principalmente no que se refere a escola pública, e existe uma corrente de pesquisadores que acreditam que aos portadores de deficiências a segregação em escolas especiais não está contribuindo para que o mesmo se torne participante da sociedade, desenvolva suas aptidões de forma adequada e possa se adaptar no mercado de trabalho.
Assim, dentro da nova proposta do governo a inserção do portador de deficiência auditiva em uma classe normal já é uma constatação, as escolas devem se adaptar bem como os seus professores devem estar aptos a assumir uma sala de aula cujos alunos sejam diferentes agora não só em nível de cultura e conhecimento, mas também em condições e rítmo de aprendizagem. Como será esta inserção? Será que os professores terão condições de desenvolver uma programação igualitária para todos? Será que a escola pública está preparada para assumir seu papel diante dos familiares e destes alunos portadores de deficiências ? Existe adequação nas salas de aulas para atender as necessidades destes alunos portadores de deficiência auditiva?
“Freqüentemente me pedem para descrever a experiência de dar à luz uma criança com deficiência. Seria como...Ter um bebê é como planejar uma fabulosa viagem de férias PARA A ITÁLIA. Você compra montes de guias e faz planos maravilhosos! O Coliseu. O Davi de Michelangelo. As gôndolas em Veneza. Você pode até aprender algumas frases em italiano. É tudo muito excitante.Após meses de antecipação, finalmente chega o grande dia! Você arruma as malas e embarca. Algumas horas depois, você aterrissa. O comissário de bordo chega e diz: Bem-vindo à Holanda! Holanda??- diz você. O que quer dizer com Holanda?? Eu escolhi a Itália ! Eu devia ter chegado à Itália. Toda a minha vida eu quis conhecer a Itália! Mas houve uma mudança no plano de vôo. Eles aterrissaram na Holanda e é lá que você deve ficar. O mais importante é que eles não levaram você para um lugar horrível e desagradável, com sujeira, fome e doença. É apenas um lugar diferente. Você precisa sair e comprar outros guias.
Deve aprender uma nova língua. E irá encontrar pessoas que jamais imaginara. É apenas um lugar diferente. É mais baixo e menos ensolarado que a Itália. Mas, após alguns minutos, você pode respirar fundo e olhar ao redor. Começa a notar que a Holanda tem moinhos de vento, tulipas e até Rembrandts e Van Goghs. Mas, todos os que você conhece estão ocupados indo e vindo da Itália, comentando a temporada maravilhosa que passaram lá. E por toda a sua vida você dirá: Sim, era onde eu deveria estar. Era tudo o que eu havia planejado. A dor que isso causa nunca, nunca irá embora. Porque a perda desse sonho é uma perda extremamente significativa. Porém, se você passar toda a vida remoendo o fato de não ter chegado à Itália, nunca estará livre para apreciar as coisas belas e muito especiais existentes na Holanda. (Emily Perl Knisley, 1987).”



domingo, 8 de junho de 2008

~ Paralisia Infantil

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- O que é Paralisia Infantil:

A poliomielite ou paralisia infantil, como é mais conhecida, é uma doença infecto-contagiosa viral aguda que se manifesta de diversas formas. O quadro clássico é caracterizado por paralisia flácida de início súbito e acomete geralmente os membros inferiores. Em algumas pessoas a doença pode levar a paralisia dos músculos respiratórios e da deglutição: situação que deixa a vida do paciente ameaçada.

- Causas:


Essa doença é causada por um dos três poliovírus existentes. A infecção se transmite através do contato com um portador da pólio ou então com fezes humanas. Crianças na primeira idade são mais susceptíveis à doença e também os principais agentes de transmissão, mas os adultos também podem contrair o pólio. O vírus penetra no corpo através da boca e percorre o corpo através do sistema sangüíneo. Se ele invadir o sistema nervoso central, ataca os neurônios motores e pode causar lesões que resultam em paralisia (poliomielite paralítica). Os braços e as pernas são mais freqüentemente afetados.

- Inclusão e exclusão:


A inclusão escolar de alunos com necessidades educacionais especiais, embora amparada por lei, tem sido objeto de grandes questionamentos no que se refere às condições básicas necessárias para efetivá-la. Porém, entre estes alunos, destaca-se a dificuldade para inclusão daqueles com seqüela de paralisia cerebral que, por apresentarem um conjunto de comprometimentos associados, como o sensorial, o motor e/ou cognitivo, acabam encontrando barreiras ao serem inseridos nas classes de ensino regular.
Os professores se referem a que, de todas, a maior dificuldade é a superlotação de alunos em classe, fator determinante que impede e/ou impossibilita a inclusão. A aparência física e as deficiências dos alunos com seqüelas de paralisia também causam,sentimentos de espanto, medo e, indiretamente rejeição: (depoimento de uma professora)



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“A gente se assusta mesmo,
Quando vi, levei um susto danado!.
Dá medo de pegar na criança pra trabalhar.
[...] morro de medo de ter mais um aluno com paralisia cerebral.
Eu levei um susto quando vi a criança, não sabia que era assim tão
deformada.
Os pés eram tortinhos, a cabeça ficava sempre caída com a língua
pra fora e babava muito. Fiquei muito impressionada.
Tive medo de pegar nela, parecia que ela ia quebrar, era pele e
osso e toda durinha’’.


- Direitos:


Determinadas pessoas, sobretudo as que sofrem de paralisia, câncer, lepra, AIDS, dentre outras doenças incapacitante seja total ou parcialmente, têm direitos a isenções de impostos, taxas, desconto no preço para compra de carros adaptados,passe livre em metrô e transporte coletivo, além de remédios gratuitos, dentre os direitos que essas pessoas têm e ninguém divulga, estão:

a) Aposentadoria integral (mesmo sem contar com o tempo necessário de contribuição ao INSS);
b)Isenções de IR; CPMF; Contribuição Previdenciária; etc.

c)Se houver deficiência física: isenção de IPI; ICMS; IOF e IPVA VITALÍCIA, na compra de carro especial, ou adaptado. O preço do carro, nessescasos, cai em 30%.
d)Direito ao saque total de FGTS e fundos PIS ou PASEP.
e)Direito da quitação de valores financiados para compra de imóveis ANTERIORES À DOENÇA.
f)Atendimento médico domiciliar.
g)Remédios gratuitos.


~ Deficiente VisuaL

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" Eu, que sou cega, posso dar uma sugestão àqueles que vêem: usem os olhos como se amanhã fossem perder a visão. E o mesmo se aplica aos outros sentidos.Ouçam a música das vozes, o canto dos pássaros, os possantes acordes de uma orquestra, como se amanhã fossem ficar surdos. Toquem cada objecto como se amanhã perdessem o tacto. Sintam o perfume das flores, saboreiem cada bocado, como se amanhã não mais sentissem aromas nem gostos. Usem ao máximo todos os sentidos; gozem de todas as facetas do prazer e da beleza que o mundo vos revela pelos vários meios de contacto fornecidos pela natureza. Mas, de todos os sentidos, estou certa de que a visão deve ser o mais delicioso ".

Hellen Keller

A visão permite-nos unificar de forma rápida e continua a informação recebida pelos outros sentidos. Os olhos vêem as imagens que irão ser processadas no cérebro.

Deficiência Visual

' As pessoas com dificuldades visuais são classificadas em dois grupos principais: cegos e com visão parcial ou reduzida. A delimitação do grupo de deficientes visuais, cegos e portadores de subvisão, dá-se por duas escalas oftalmológicas: acuidade visual, aquilo que se vê a determinada distância e campo visual, a amplitude da área alcançada pela visão.

' Em 1966 a Organização Mundial de Saúde (OMS) registrou 66 diferentes definições de cegueira. Para simplificar o assunto, um grupo de estudos sobre a Prevenção da Cegueira da OMS, em 1972, propôs normas para a definição de cegueira e para uniformizar as anotações dos valores de acuidade visual.

' Foi introduzido, ao lado de 'cegueira', o termo 'subvisão' ('low vision', em língua inglesa).O termo cegueira não é absoluto, pois reúne indivíduos com vários graus de visão residual. Ela não significa, necessariamente, total incapacidade para ver, mas sim, prejuízo dessa aptidão a níveis incapacitantes para o exercício de tarefas rotineiras.

' Falamos em cegueira parcial (também dita LEGAL ou PROFISSIONAL). Nessa categoria estão os indivíduos apenas capazes de CONTAR DEDOS a curta distância e os que só PERCEBEM VULTOS. Mais próximos da cegueira total, estão os indivíduos que só têm PERCEPÇÃO e PROJECÇÃO LUMINOSAS. No primeiro caso, há apenas a distinção entre claro e escuro; no segundo (projecção) o indivíduo é capaz de identificar também a direcção de onde provém a luz.

' A cegueira total ou simplesmente AMAUROSE, pressupõe completa perda de visão. A visão é nula, isto é, nem a percepção luminosa está presente. No jargão oftalmológico, usa-se a expressão 'visão zero'.

' Uma pessoa é considerada cega se corresponde a um dos critérios seguintes: a visão corrigida do melhor dos seus olhos é de 20/200 ou menos, isto é, se ela pode ver a 20 pés (6 metros) o que uma pessoa de visão normal pode ver a 200 pés (60 metros), ou se o diâmetro mais largo do seu campo visual subentende um arco não maior de 20 graus, ainda que sua acuidade visual nesse estreito campo possa ser superior a 20/200. Esse campo visual restrito é muitas vezes chamado "visão em túnel" ou "em ponta de alfinete", e a essas definições chamam alguns "cegueira legal" ou "cegueira econômica".

' Nesse contexto, caracteriza-se como portador de subvisão aquele que possui acuidade visual de 6/60 e 18/60 (escala métrica) e/ou um campo visual entre 20 e 50º.

' Pedagogicamente, delimita-se como cego aquele que, mesmo possuindo subvisão, necessita de aprender Braille (sistema de escrita por pontos em relevo) e como portador de subvisão aquele que lê tipos impressos ampliados ou com o auxílio de potentes recursos ópticos. Estas pessoas requerem educação por meio de métodos que não impliquem o uso da visão.
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Causas

As Principais causas da deficiência visual são: perda da visão decorrente de ferimentos, traumatismos, perfurações e vazamentos nos olhos. Durante a gestação, doenças como rubéola, toxoplasmose e sífilis podem causar a deficiência na criança. Infecções em recém-nascidos também podem causar déficits visuais.
Outras doenças que ocorrem, na maioria das vezes, em adultos, se não forem devidamente tratadas, podem gerar deficiência visual. Entre as principais estão: glaucoma , diabetes, toxoplasmose, descolamento de retina, catarata congênita, retinopatia da prematuridade, baixa oxigenação do cérebro (hipóxia) entre outras.
Médicos especialistas em visão subnormal estimam que os casos de deficiência visual poderiam ser reduzidos em até 30%, caso sejam adotadas todas as medidas preventivas e eficientes nas áreas de educação e saúde.
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Geralmente criamos ideias preconcebidas em relação a tudo o que é diferente de nós. Vamos analisar alguns mitos que prevalecem em relação às pessoas cegas.
Mitos ~

- Perder a visão de um olho é o mesmo que perder 50% da visão.
- Os óculos ajudam sempre a corrigir a visão.
- As crianças com visão limitada têm uma percepção mais apurada dos obstáculos.
- As crianças com limitações visuais são dotadas de poderes extra sensoriais, ou são compensadas com talentos especiais para a música, possuem audição, tacto e paladar super- sensíveis.
- A visão residual é danificada pelo uso. Ler na cama com luz fraca ou vêr televisão, são coisas que arruinam os olhos.

~ Realidades

- Embora haja perda de visão do lado afectado e perda de percepção da profundidade, a visão não fica reduzida a metade.
- Há problemas de visão que podem ser corrigidos por lentes, outros não podem , e alguns, apesar de corrigidos, mantêm a visão limitada.
- A audição e o uso de auxiliares ópticos são tidos como necessários para explicar a percepção dos obstáculos.
- As crianças com limitações visuais não têm poderes extra-sensoriais e em lugar de disporem de compensação natural, são mais sujeitas a ter limitações adicionais. Algumas apresentam talentos especiais ou sentidos mais aguçados, que resultam do aumento da atenção em relação aos outros sentidos, da prática diligente ou das oportunidades de aprender.
- A visão residual é perdida ou atrofiada pelo desuso. Aprendemos a ver e quanto mais olhamos mais vemos.

Lidar com um cego no dia-a-dia

' A primeira ideia a reter é que os cegos são pessoas vulgares. É incorrecto pensar que o cego é um super dotado ou pelo contrário um atrasado mental. Assim sendo trate-o como trataria qualquer cidadão comum.

' Fale-lhe directamente e não por interposta pessoa; empregue um tom de voz natural e não pense que ele tem algum grau de surdez. Não substitua as palavras "veja", "olhe" por expressões como "oiça, "apalpe", "verifique".

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Não se coiba de usar as palavras cego e cegueira.

' Dê-se a conhecer quando se dirige a uma pessoa cega. Se não souber o seu nome ou por qualquer circunstância não se recordar no momento, toque no seu braço, levemente, para que assim saiba que a conversa é com ele.

' Depois de ter conversado com um cego, deve informá-lo de que se vai retirar, pois é desagradável para um cego continuar a falar para uma pessoa que já não se encontra perto dele.

Expressões a evitar

' Expressões de piedade, pois os cegos tal como as outras pessoas ressentem-se disso.

' Considerações sentimentais acerca da cegueira ou referências a ela como um tormento; não só irrita os que já se adaptaram à sua deficiência como deprime e aflige aqueles que estão a caminho dela.

' Expressões de espanto quando algum cego executar uma das muitas tarefas usuais do dia-a-dia.
Conduzir um cego

' Quando conduzir uma pessoa cega não a empurre para a frente. Convém perguntar ao cego se quer ser ajudado e como.

' A maioria prefere agarrar o braço do guia, na zona do cotovelo. Nesse caso dê o seu braço dobrado ( o direito) e coloque-se à frente da pessoa cega.

' Ao chegar junto a degraus, faça uma pausa e informe o cego se eles se encaminham em sentido ascendente ou descendente; nunca se deve dizer quantos degraus vai subir ou descer porque um erro de cálculo pode originar acidentes graves.

' Tenha muito cuidado para não se enganar quando ensina o caminho a um cego, de modo a evitar acidentes e até graves percalços. Deve utilizar as seguintes noções espaciais: esquerda e direita, em frente, para trás, meia volta e um quarto de volta.

' Os termos "aqui","ali", "acolá" nada dizem a uma pessoa cega. Quando vir um cego parado junto à borda de um passeio pergunte: "precisa de ajuda?" Se o ajudar a atravessar a rua, tente seguir a direito para não o desorientar. Não se deve gritar de longe para um cego com a intenção de o alertar para qualquer obstáculo.Tal hipótese só é admissível caso o obstáculo não seja detectável com a bengala.

Colaboração nas refeições

' Devemos incentivar o aluno cego a servir-se autonomamente na cantina escolar: retirar o tabuleiro, os talheres, a fruta, o prato com a comida e a sopa.

' À refeição deve-se deixar o cego cortar os alimentos, dispondo-os no prato, de maneira a que a carne e o peixe fiquem na parte central em baixo e o acompanhamento na parte de cima.

' Quando lhe servirmos líquidos (vinho, chá, café ou água), não convém encher os copos, porque é difícil para o cego equilibrá-los.

' O ideal é deixar o aluno servir-se autonomamente, colocando o jarro de água ao alcance da mão.

' O aluno deve passar à frente nas filas, pois demora mais a comer e a deslocar-se para as aulas e/ou sua casa.

' Na deslocação, basta indicar-lhe o caminho a seguir dentro da sala e/ou cantina. Por fim devemos ter o cuidado de desimpedir os caminhos entre as mesas e não deixar mochilas, cadeiras ou outros objectos nesses trajectos.

O Ensino do Braille

' A criança cega deve iniciar a aprendizagem do Braille logo que entre para a escola, para que se não sinta diminuída em relação aos companheiros normovisuais.

' Numa escola especializada ela tem um acompanhamento intensivo ao nível do Braille, da autonomia e orientação e pode trocar impressões com as suas congéneres, mas o ensino integrado é de grande importância para o deficiente visual. É evidente que o ensino do Braille requer uma pedagogia específica, mas os fins a atingir são iguais aos da aprendizagem vulgar da escrita e da leitura. O ensino deve ser bem orientado, já que se reveste de grande importância em todas as áreas e ao longo do percurso escolar; os alunos devem ter um técnico que domine o sistema e possua competência pedagógica para os acompanhar, atendendo a que, à medida que progridem nos estudos, novos sinais de toda a ordem vão aparecendo. Se houver uma leitura persistente do Braille evitam-se os reflexos negativos na escrita, sobretudo no que diz respeito à qualidade do Braille e à ortografia. Actualmente existe uma tendência para a pouca utilização do Braille e menos esmero na qualidade. Há quem defenda que a situação se deve ao aparecimento dos livros sonoros e de toda a tecnologia ligada à informática. No entanto, as novas tecnologias não anulam o Braille, até porque ele facilita o manuseamento das mesmas.

' Do que foi explanado podemos retirar as seguintes ilações:
- As crianças cegas devem ingressar nas escolas na idade própria e ser-lhes ministrado o Sistema Braille.

- O acompanhamento dos alunos deve ser mais intenso nos primeiros anos de escolaridade, alicerçando os anos vindouros.

- O Braille deve ser ensinado por técnicos competentes, que o dominem em todas as suas vertentes.

- O professor de apoio deve sensibilizar os alunos para que tirem o melhor partido dos equipamentos específicos disponíveis.

- A informática, os livros sonoros e demais tecnologias específicas são extraordinários recursos para o desenvolvimento cultural dos deficientes visuais, devendoestes ter sempre presente o Sistema Braille, como instrumento insubstituível na sua educação.

O professor

' No caso dos alunos cegos, cujo estilo cognitivo assenta em três sentidos específicos (audição, tacto e sentido quinestésico), geralmente mais desenvolvidos, é necessário seleccionar estratégias de ensino que privilegiem esses canais de comunicação. Relativamente ao ensino de crianças cegas com boas capacidades cognitivas e com um bom grau de estimulação, o seu sucesso depende muito do empenho do professor em criar situações de aprendizagem adequadas ao seu estilo cognitivo.

' Nesse sentido um bom professor deverá atender aos seguintes factores:
apresentar disponibilidade afectiva, para aceitar as diferenças decorrentes da cegueira;
ser sensível ao estilo cognitivo de aprendizagem do aluno cego e utilizar terminologia ligada a conceitos espaciais concretos (ex:à direita, esquerda, em frente, atrás, horizontal, vertical, etc.); recorrer a materiais manuseáveis, para ajudar o aluno na formação de conceitos; fornecer uma descrição verbal das imagens utilizadas na sala quando necessário, utilizar outro aluno ou ser ele próprio o suporte visual do aluno cego; Utilizar auxiliares educativos adaptados (educational aids); Conhecer onde e como obter materiais adequados para utilizar no ensino; articular a sua acção educativa com o professor de apoio, para o estudo das adaptações a efectuar;


Orientação e mobilidade

' Para promover a sua autonomia, é fundamental que a criança (ou o jovem) se movimente com segurança. Nesse sentido o professor de apoio (ou o director de turma) deve ajudá-lo a conhecer a escola: os pavilhões, as salas de aula, os sanitários, a secretaria, a sala de professores, o refeitório, o bar dos alunos, a papelaria, e todos os espaços que impliquem directamente na sua mobilidade.

' O aluno terá de percorrer todo o estabelecimento de ensino, dando o braço ao guia ( o professor), que durante o trajecto, lhe referirá todos os objectos que se encontram no caminho. Este percurso deve ser feito antes das aulas começarem e fora dos intervalos, para evitar atropelos e barulhos e apelar a uma maior atenção do aluno.

' Depois de fazer o trajecto várias vezes acompanhado, deve ser estimulado a fazê-lo sozinho.

' Deve conhecer as saídas de emergência e os trajectos mais curtos para as alcançar, de forma a estar prevenido em caso de incêndio. Um ou mais colegas devem ser responsabilizados pela segurança do colega nas situações de perigo.

Organização da sala de aula

' É importante uma boa planificação e organização da sala de aula, evitando o excesso de materiais e móveis. Os equipamentos e recipientes devem ter uma localização ordenada e devem ser etiquetados em função dos conteúdos.

' Quando há modificação da organização da sala de aula, é importante que o aluno conheça imediatamente as novas localizações.

' Deve haver o cuidado de fechar portas, gavetas e armários, bem como não deixar mochilas ou outros obstáculos nos corredores, entre as carteiras e mesas, para evitar que o aluno cego se magoe esbarrando neles.

' O aluno tem necessidade de ser auto-suficiente e para isso deve circular livremente na sala de aula, para buscar e arrumar o material de que precisa.


' O Braille é um dos códigos de apoio da língua, e a sua importância está no facto de habilitar o ser humano a compreender o mundo através de um sistema organizado de símbolos, substituindo o alfabeto convencional por um alfabeto de pontos em relevo, o que possibilita ao deficiente visual a escrita e a leitura.

' O Sistema Braille é um sistema de leitura e escrita táctil, utilizado universalmente na leitura e na escrita por pessoas cegas, reconhecendo-se o ano de 1825 como o marco dessa importante conquista para a educação e integração dos deficientes visuais na sociedade.

' O Braille é composto por 6 pontos, que são agrupados em duas filas verticais com três pontos em cada fila (celula Braille). Os seis pontos formam o que se convencionou chamar de "celula Braille". Para facilitar a sua identificação, os pontos são numerados em duas colunas: do alto para baixo, coluna da esquerda: pontos 1-2-3;do alto para baixo, coluna da direita: pontos 4-5-6.

' A combinação desses pontos forma 63 caracteres que simbolizam as letras do alfabeto convencional e as suas variações como os acentos, a pontuação, os números, os símbolos matemáticos e químicos e até as notas musicais. Para os cegos poderem ler números ou partituras musicais, por exemplo, basta que se acrescente antes do sinal de 6 pontos um sinal de número ou de música.

' As dez primeiras letras do alfabeto são formadas pelas diversas combinações possíveis dos quatro pontos superiores (1-2-4-5); as dez letras seguintes são as combinações das dez primeiras letras, acrescidas do ponto 3, e formam a 2ª linha de sinais. A terceira linha é formada pelo acréscimo dos pontos 3 e 6 às combinações da 1ª linha.

' Os símbolos da 1ª linha são as dez primeiras letras do alfabeto romano (a-j). Esses mesmos sinais, na mesma ordem, assumem características de valores numéricos 1-0, quando precedidas do sinal do número, formado pelos pontos 3-4-5-6.

' Vinte e seis sinais são utilizados para o alfabeto, dez para os sinais de pontuação de uso internacional, correspondendo aos 10 sinais de 1ª linha, localizados na parte inferior da celula braille: pontos 2-3-5-6. Os vinte e seis sinais restantes são destinados às necessidades especiais de cada língua (letras acentuadas, por exemplo) e para abreviaturas.

' O Sistema Braille é aplicado por extenso, isto é, escrevendo-se a palavra, letra por letra, ou de forma abreviada, adoptando-se códigos especiais de abreviaturas para cada língua ou grupo linguístico. O Braille por extenso é denominado grau 1. O grau 2 é a forma abreviada, aplicada para representar as conjunções, preposições, pronomes, prefixos, sufixos, grupos de letras que são comumente encontradas nas palavras de uso corrente. A principal razão de seu emprego é reduzir o volume dos livros em Braille e permitir o maior rendimento na leitura e na escrita. Uma série de abreviaturas mais complexas forma o grau 3, que necessita de um conhecimento profundo da língua, uma boa memória e uma sensibilidade táctil muito desenvolvida por parte do leitor cego. O tacto é também um factor decisivo na capacidade de utilização do Braille.

' O Sistema Braille é de extraordinária universalidade: pode exprimir as diferentes línguas e escritas da Europa, Ásia e da África. A sua principal vantagem, todavia, reside no facto das pessoas cegas poderem facilmente escrever por esse sistema. Excepto pela fadiga, a escrita Braille pode tornar-se tão automática para o cego como a escrita com lápis para a pessoa de visão normal.
' As Imprensas Braille produzem os seus livros utilizando máquinas estereótipadas, semelhantes às máquinas especiais de dactilografia, sendo porém eléctricas. Essas máquinas permitem a escrita do Braille em matrizes de metal. Essa escrita é feita dos dois lados da matriz, permitindo a impressão do Braille nas duas faces do papel. Esse é o Braille interponto: os pontos são dispostos de tal forma que impressos de um lado não coincidam com os pontos da outra face, permitindo uma leitura corrente, um aproveitamento melhor do papel, reduzindo o volume dos livros transcritos no sistema Braille. Novos recursos para a produção do Braille têm sido aplicados, de acordo com os avanços tecnológicos de nossa era. O Braille agora pode ser produzido pela automatização através de recursos modernos dos computadores.

Direitos

~ Passou a ser assegurado, nos termos da Lei 11.126/2005, à pessoa portadora de deficiência visual usuária de cão-guia o direito de ingressar e permanecer com o animal nos veículos e nos estabelecimentos públicos e privados de uso coletivo. A deficiência visual referida restringe-se à cegueira e à baixa visão. O disposto, neste diploma, aplica-se a todas as modalidades de transporte interestadual e internacional com origem no território brasileiro. Mais: constitui ato de discriminação, a ser apenado com interdição e multa, qualquer tentativa voltada a impedir ou dificultar o gozo do direito previsto na Lei 11.126 de 2005. Serão, ainda, objeto de regulamento os requisitos mínimos para identificação do cão-guia, a forma de comprovação de treinamento do usuário, o valor da multa e o tempo de interdição impostos à empresa de transporte ou ao estabelecimento público ou privado responsável pela discriminação.